Dry Neres
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Caminhei pelo mundo dos vivos sem vida. Interagi com vivos como se viva estivesse. Meus olhos maduros de dor queriam ser verdes – metáfora bonita para falar esperança. Respirei ar puro, mas meus pulmões receberam pesada ventania. Me alimentei de sonhos. É mentira. Não sonhei coisa alguma. Dirigi como quem tem carteira de habilitação, mas…
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Adormeci com um cupim nos olhos. Quando acordei, ele estava na minha garganta. Tentei lavar, esfregar e ele não recuava. Estava determinado a comer o meu amor. Sabe aquele amor pelas viagens, pela vida, pela poesia? Ele estava decidido a arruinar. Ao me olhar no espelho vi só um pedaço do meu rosto; também já…
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Tenha piedade dos loucos e dos apaixonados. Não sabemos o que eles sofreram antes de andarem feito mamelucos, forasteiros. Tenha piedade dos loucos, porque todos já foram sãos. Tenha piedade dos loucos que amaram desmedidamente, que perderam seus documentos, suas vestes, seus pés. São desabotinados na escuridão ou no sol de meio dia. Hoje eu…
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A Academia Valparaisense de Letras (AVL) tem o orgulho de divulgar o lançamento da primeira edição da Oficina Literária “Do texto à publicação”, que será realizado na cidade de Valparaíso de Goiás. Com uma proposta inovadora, a oficina visa capacitar aspirantes a escritores, fornecendo habilidades essenciais para a produção e publicação de suas próprias obras…
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Quem parte deixa livros por fazer, amores, documentos espalhados. Quem parte, parte o tempo em dois: antes e depois. Quem parte deixa lágrimas que escorrem pelo travesseiro e morrem no chão. Deixa dúvidas, o último abraço nas mãos, o gosto ou ausência do beijo; deixa. Quem partiu me deixou num deserto seco e encharcado. Me…
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Nossa última vez no CCBB foi de céu estrelado, pingo de chuva fininho, fininho; mãos entrelaçadas, beijos apaixonados. Senti-me uma adolescente a rodopiar contigo, beijar teus olhos, tuas mãos. Você me abraçava como quem retornava para casa. Por um momento, ao morder aquele Dog da Igrejinha eu pensei: eu morri, que alegria, tô no céu!…
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Desfaço teus traçosBorracha em caneta?Fotografia des-reveladaBinóculo-satéliteCidade-volanteUm abraço quente-vulcãoQue resfria como o tom da tua peleGélida, petrificada estava, lembra?Em susto-espanto me recordei:A solidão segue a me abrir os braçosOnde estão teus beijos, amor?E a gargalhada sardenta de peito em flor?Cadê o teu canto, no canto da sala e embaixo das cobertas?Conta pra mim pra onde foi…
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Grande feito 1200 metros, larga em 24, alta em 62, marcante feito tráfego de 50k quatro rodas por dia. Não paguei pedágio, mas me custou caro. Seis vias, cruzamentos, lago. Paralela à arte; antagônica à vida. Vislumbre num dia de sol, arquitetura pagã. Dor grande feito murro em ponta de faca. Já te apreciei. Já…
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Invoquei Tétis, Enki, Anuket, Oxum, Poseidon, Aegir, Chalchiuhtlicue, Kanaloa. Li Caio Fernando de Abreu, Clarice e Bukowski. Implorei a Freud, Chico, Nietzsche e a todos os santos que imprimem letrinhas no papel. Convoquei os Erês, Caboclos e Exus. Éramos muitos e todos naquela noite chuvosa. O coração não batia; cavalgava. Pernas em descompasso que se…

