Alexandre Bernardo
-

A Biblioteca Virtual Bernardo Élis é a página mais visitada do site da Academia Valparaisense de Letras. Destacam-se também o conto “505” de Alexandre Bernardo, vencedor da Coletânea de Contistas Contemporâneos 2023, e a participação do acadêmico César Ferreira numa residência artística na Lituânia.
-

A despedida Ela começou severa, mas como gelo no asfalto quente, auge de janeiro, foi se desmanchando. Não foi por engano. Até mudou de cor. Foi aquele olhar que congela. Fez-se incêndio em segundos. Do ódio à paixão. Era o olhar que ela fazia. O que antes era estátua de mármore congelada e rigorosamente parada…
-

Conto selecionado como um dos vencedores da coletânea “Breves Ficções” da Editora Litterae. Alexandre Bernardo Ontem eu rasguei minhas cartas de amor. Por que cartas de amor se rasgam em silêncio. Sem alarde. Sem toda a cena de uma comédia romântica. A pena foi eu perceber tudo isso já tarde demais. Depois de ter afastado…
-

Eram flores largadas na calçada. Parecia, até certo ponto, um tipo de buquê de festa. Um daqueles que a jovem que pegou não se casou. Ao tocar, tão belas flores, inflou-se e sentiu-se por todos desejada. E por vários deles, sim, ela era. Acontece que isso os expulsou. É claro que em nossas vidas às…
-

Conto selecionado como um dos vencedores da “Coletânea de Contistas Contemporâneos 2023” da Editora Persona. Confesso que minha ligação com aquele quarto começou bem antes de ali chegar. Eu já o conhecia antes mesmo de o conhecer e isso foi ficando bem claro na minha cabeça confusa. Desculpe. Não quero te confundir. Quero que você…
-

Todos os dias sempre começam com a mesma ladainha. Definitivamente não era um dia qualquer. Na verdade, ele bem sabia que nenhum era. Ele lembrou-se cedo de uma cena esquisita e inútil que marcara sua vida. Ela se parecia com todas as outras. Deitado abaixo de uma árvore bem velha. Provavelmente mais antiga que o…
-

Um som. Não adiantava preencher todo o ambiente que o continha. Sirene de algum carro de polícia ou choro de criança? Era um simples questionamento que surgia em sua mente frente à dor. Dilacerante. Ele a sentia rasgar pouco a pouco cada uma de suas veias, sentia desfazer o fiar de nervos de sua cabeça…



