Na varanda fria da madrugada,
uma anja solitária acende estrelas
com mãos cansadas de silêncio.
Ela carrega nos olhos
o peso doce das despedidas,
como quem aprendeu
a amar o que nunca ficou.
As ruas dormem vazias,
e o vento conversa baixinho
com suas asas feridas.
Nenhum céu a reclama.
Nenhuma voz a chama pelo nome.
Ainda assim, ela canta.
Um canto lento, melancólico,
feito de chuva nas janelas
e lembranças que não morrem.
Às vezes sorri —
não por felicidade,
mas porque descobriu
que a tristeza também ilumina.
E sob a lua pálida,
a anja solitária continua,
guardando sonhos abandonados
como flores secas dentro do peito.


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