Do voar de pássaro,
desejo ao menos a poesia das palavras.
Desta ação arrebatadora
sinto um vento que sopra junto às batidas do coração.
Sejam calmas ou aceleradas,
ecoam nos confins e infinitudes do céu.
Nos dizeres de passarinho
e no embalo de suas cores e sons,
escuto poemas e cantigas
de muitos ritmos e tons.
Também ouço alguns segredos da natureza
que entraram pela janela,
assim que o dia amanheceu.
Agora, no meu ensaio de voo,
eu ganho asas nesta dança de faz-de-conta.
Alinhados com o pôr do sol,
os movimentos e as silhuetas
conversam com o resto da paisagem.
Nos rastros de asas, gestos e palavras,
deixados no meu jardim particular,
componho as linhas deste poema
enfeitado de voo e de tudo mais que eu quiser dançar.


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