
Gritam adjetivos ao nosso redor e nos afastam das verdades literais que, ao meu ver, seriam vergonhosas faces do nosso povo e de quem nos governa, e inventam de forma vexatória e excomungam quem se afasta das ideias do clero e entoam cantos de ânsia nos mais altos níveis de burrice. Eu estremeço inocentemente as minhas pálpebras, cansadas, na tentativa ilusória do fervor do acordar e achar o ar. É seco. É inferno. É ter o peso nas nossas costas e nem pedimos por isso. É a tentativa comunitária que vai de encontro à subserviência ao deus daqui. E tentamos mesmo assim e, mesmo assim, não conseguiremos. Frustra-nos a inata realidade de antíteses milhares que nos corrompem e nos afastam da humanidade. De tempos em tempos, penso em me afastar e deveria mesmo. Não sou só eu, mas não sou todos. A vida seria mais fácil se eu fosse uma nuvem.
Olha, olha lá, já vai passar mais uma… e essa está se acabando em chuva.
A.

Deixe um comentário