Escrevivência: produção das participantes – Dia 02

Seguem alguns textos criados durante o segundo encontro do curso no dia 30 de setembro de 2023. O objetivo principal é possibilitar às participantes a oportunidade de transformar experiências pessoais em expressões artísticas e poéticas. O encontro foi conduzido pelo acadêmico César Ferreira.

O cerne da poesia do instante está na presencialidade de seu fazer. É um mergulho na busca pela expressão autêntica, uma exploração das nuances da linguagem, da cultura e do tempo em uma experiência de compreensão mútua que transcende as barreiras do texto escrito.

Ler e escrever revelam a incrível capacidade humana de compor uma profundidade infinita de significados.

César Ferreira

Sou uma pessoa
que gosta de amigos
de música
de ler e escrever
amo dançar e viajar
conhecer novas pessoas

Sou professora
do Ensino Especial
Escritora
Cordelista e Xilógrafa
Contadora de histórias infantis
e inclusivas

De família pobre
e numerosa
lutei e venci
estudei
pois via na educação
a única saída
para vencer na vida

Sou Mãe
Avó dedicada
sempre presente
e participativa

Agarro com afinco
as oportunidades

Sou feliz
e isso me basta

Arlene Muniz

Sou uma mulher de meia-idade,
Cheia de sonhos,
Múltipla e contraditória.
Tenho medo e coragem
Sou resultado das minhas escolhas
E também, embora menos,
Das minhas renúncias.
Trago em mim, uma rebeldia controlada
Às vezes, para não chocar
Frequentemente, para ser aceita e admirada.
Quero inspirar, ser solidária,
Deixar minha marca,
Mas nada faço.

Quisera ter mais tempo, para concluir com chave de ouro,
minha passagem sobre a terra.
Não sei se conseguirei, mas não custa nada acreditar que posso.
Enquanto isso, me defino como alguém singular,
Às vezes falante, outras vezes calada, introspectiva.
Calada, observo o mundo
Sob uma capa auto-imposta de invisibilidade.

Ângela Moreira

Esther é um ser
Desses que não brigam
Para ser
Porque ela já é.
No fundo ela sabe esquecer
E entende que
também já foi esquecida.

Ser a Esther é
Ser chata e legal
Numa fração de segundos
E como uma atriz
Uma mexicana a chorar
Alegra-se e lamenta-se
Por saber disso tudo aí.

Ser Esther é
Odiar ter que se autoafirmar
Completar frases a pedido
E acordar sem ter dormido

Ser Esther é
Não gostar de ir ao mercado
E ter preguiça
De um tanto de coisas

Ser Esther é
Ser feliz com a felicidade alheia,
Se esforçar para comer frutas,
É dizer que uma gripe
Está acabando com ela

Ser Esther é
Amar trabalhar
E odiar ao mesmo tempo.

Ser Esther é
Viver em contradição
É inventar
É reinventar
E às vezes voltar a raiz do seu ser!

Madeline

Quem eu sou?

Eu também me pergunto isso
diversas vezes,
quase todas as noites,
não que importasse muito
sou só mais uma
uma entre 7 bilhões
Eu e minha quase insignificante existência
somos como uma fase
uma que passa rápido
você nem lembra que se foi.

Eu sou meu desespero
sou aquele jardim
no qual demora para nascerem novas flores
as vezes sem cor
as vezes sem vida
sempre rodeada de pensamentos,
sentimentos
eu sou aquele ser desamparado
rodeado de tudo
ao mesmo tempo de nada

sou feita inteiramente de sentimentos
A raiva me conhece
sabe quem eu sou
ela fala o que sempre está guardado
sentimentos e mais sentimentos
as vezes é cansativo
me sinto como um nada,
ninguém é nada
ser um nada já é ser alguma coisa.

Tento falar,
escrever,
demonstrar,
mas são tantas palavras
que fico engasgada,
sem saber o que realmente dizer.

Eu sou somente eu,
não tenho palavras para descrever
ainda preciso de tempo para me reconhecer
reescrever
me tornar novos sentimentos
novas experiências
um novo eu.

Sofia Soares

represento o vento,
a água,
a terra
e o fogo dos meus antepassados

os seus anseios
os seus desatinos
uma dicotomia tresloucada
em busca de constância

sou único,
mas ordinariamente perdido
por este mesmo motivo

Daniel Teixeira

Ser eu significa estar constantemente em conflito entre aonde eu quero estar, e como deveria estar, isto é, necessito aprender a aproveitar os devaneios de minha existência.

Muitas vezes, estabilizada pelo receio em agir, mas sempre grata pelo o que conquistei, certamente estou distante de pensamentos ligados ao “não merecimento”.

Ser eu é perde-se em reflexões sobre o inexistente, o inexplorável, o elo perdido…

Admito, é bom e ao mesmo tempo interessante ser eu, tive privilégios e cresci rodeada de amor…

Mas alto lá , preciso ressaltar que todos os desafios que vivencio foram atribuídos em mim pela minha própria e muitas vezes problemática consciência.

Sou uma pessoa que aprendeu a se encantar pela vida, e se “auto desafiar”; porém, sempre em busca do inalcançável conceito de perfeição.

Alyne Araújo Franco

Eu?
Quem seria eu?
Onde poderia pesquisar um significado de quem sou?
Sou somente um emaranhado de células?
Ou a junção de diversos adjetivos?
Uma boa pergunta a se fazer
Pois nem eu sei responder
Sou uma história mal contada
Uma escrita em linhas tortas de um caderno de caligrafia
Por onde ando, diz muito sobre quem sou
Você poderá me encontrar em livrarias,
Lendo uma poesia
Ou embaixo de uma árvore
Escrevendo um poema
Pois é, me encontra lá um dia
Vai que a gente consegue responder a essas perguntas
J u n t o s.

Yasmin Oliveira Hilbert

Eu sou um pouco de tudo  
Uma completa mistura um misto de muitas coisas
Um pouco fada                          
Pois gostaria de transformar            
Sonhos em realidade                   
Um      Pouco       Mulher maravilha
descobrindo a cada dia minha força interior    
Para me tornar a cada dia uma pessoa melhor melhor para mim                                    

Melhor para todos os que estão em minha volta uma pessoa melhor para o mundo        
Uma pessoa que procura escrever a sua própria história

                       Cheia de sonhos                     

Magias mas sem nunca esquecer a realidade                 

Ou seja eu procuro a cada dia  
Ser uma pessoa melhor no mundo

Dorinha

Priscila Morais

No quadro limpo, os traços de um poema…

Fechar os olhos…
Ter medo!
Sentir-se na escuridão de si mesmo…
E do outro…

Confiar! Proteger!
Por fim, seguir…
Ainda de olhos vendados… Seguir!
Além da escuridão
Sons… Cheiros…
Brisa…
Vida…

Não mais medo!
Não mais dor!
Desafiando-se…
Observando-de…
Enxergando-se…

Eis que em si
Descobre-se,
Plena…
No vazio de uma vida
Inteira…
Revela-se
Na luz, em luz..
Na vida, em vida,
Por vidas e vidas
Sem fim…

Dayse B.

Quem é você?

Eu sou um ser meio estranho
Hora sou feliz
Outra não
Eu sou pequena célula
Sou um livro escrito
Com mil página
Mil defeitos.
Sou franca sou presença
Sou ausência mesmo assim.
Dúvidas incertezas
Vontade de acertar mais
E errar menos.

Como é ser você?

Sem pensar sou a felicidade
Pensando sou a tempestade
Sou rica sou pobre
Por prazer
Viajo nas linhas do tempo.
Procuro encontrar a paz dentro de mim
Só encontro tudo isso
Na minha imaginação.
Sou a lua
Sou estrela
Sou um céu vazio de amor
Vou voando sem rumo
Sou comida sem sabor.

Joseneide

3 respostas para “Escrevivência: produção das participantes – Dia 02”.

  1. Avatar de Luiz Lukas Copaseut
    Luiz Lukas Copaseut

    Que delícia perceber a emoção deles em seus textos. Maravilhoso.

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