
PORTO DO CAIS
por Arttom Potiguar
— Não ao amor! Nem ao porto do cais! Não!
Você ama a si mesmo!
— O amor é assim: volta-se para si;
No entanto, é sinônimo dos fracos.
Os fortes se humanizam nessa fragilidade
Que encanta e seduz,
Mas nos desilude em fração de segundos —
Lá no porto do cais,
No caos do amor.
— Mas lá, no porto do cais,
Existe o nosso reencontro
Dentro dos recontos,
Nas ventanias ardentes, quentes,
Nas viagens das velas das jangadas à beira-mar,
Na cancela dos ventos
Do porto do cais,
Que nos refaz
E, ao mesmo tempo, nos desfaz.
— Lá, dentro da jangada,
Nas trilhas das correntes marítimas,
Ainda existe um “tu”
E ainda existe um “eu”.
Por lá, atracados,
Violentados pelo tempo,
Amassados pelo mar,
Deixamos de ser o que fomos —
Antes de ontem —
No porto do cais.

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