Abismo de Fumaça

Terra da Garoa

Ando pela selva de pedra, sem rumo, sem nome, sem esperança. Nesta terra de esquecidos, gritos silenciosos ecoam entre os prédios altos.

Sou a sombra de um nome que foi esquecido. O riso engolido pelo tempo, envolvido nos monstruosos medos e traumas escondidos nas cobertas sujas que carrego sobre meus ombros.

Este abismo me suga para o escuro, entre as rachaduras que crescem no chão da Terra da Garoa. Dias vão e vêm, mas nada muda! O dia não nasce, e a noite é infindável.

A pedra queima minha alma; só restam cinzas em meus olhos. Sou uma mera carcaça; não há mais ninguém aqui dentro. Esse alguém já se perdeu na fumaça que trago diariamente.

As vozes gritam dentro da minha cabeça, mas lá fora o silêncio é mais pesado. Rastejo pelas ruas, mas já não sinto o chão, apenas o vazio que me consome.

Sou um fantasma entre os vivos, assombrado pela fome, pela sede, pela falta de tudo que importa.

Importar? Quem, de fato, se importa com esses zumbis? Nos palácios do poder, riem e tripudiam de nós, inclusive de vocês, que muitas vezes se julgam abastados em relação a nós!

Eu sou a Cracolândia,
Eu sou o abismo,
Sou uma ruína,
E o mundo me esqueceu!

Aqui, esperança é uma piada,
E o futuro? Uma mentira que eu parei de contar.

⚠️Sensível! Uma história real de terror que existe há anos e diariamente ganha novos capítulos, mais tristes e deprimentes.

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