
Parece que faz tempo, mas nas rádios ainda tocam as músicas que ouvíamos juntas no carro. Eu fico ansiosa pra tocarem outras, de outras épocas. É curioso, mas eu te vejo em todos os fox pretos com pintura queimada. O cabelo é sempre o mesmo; os óculos também; até o jeito de estacionar é tão singular. Eu sempre paro para apreciar você olhando pelo retrovisor, ajeitando os cachos. Todas as vezes descubro que não é você. Parece que faz tanto tempo, mas ainda tenho a saliva minha-tua-dosoutros nas bocas. Eu ainda escuto seus áudios no WhatsApp e busco seu cheiro nas poucas peças de roupa que ousei guardar. Eu continuo contando pra você como foi o meu dia e sempre pergunto qual roupa devo usar. Converso com nossas meninas explicando, diariamente, que ao contrário de mim, elas podem ver a mamãe; então não precisa tanta saudade assim. Eu desenho a minha história nova pensando quais seriam suas reações. Faz tanto tempo sem o teu abraço. Faz tanto tempo e tão pouco. Não sei qual imagem tua me traz mais significado. Nas duas que vejo, você está deitada: uma no princípio, outra no fim. Os afetos já são outros e nem parece tanto tempo assim. As palavras vão se amiudando, se espremendo na pequenez da minha esperança e penso que eu já disse tudo. Mas, não. Tem tanto ainda. Eu tenho mesmo é medo. Parece tanto e pouco.

Deixe um comentário