
Essa rocha que senta sobre o meu coração me diz coisas doces sempre que meus olhos se fecham pra vida. Ela fala e fala, eu escuto, escuto com dor e medo e angústia e aflição e desesperança. Não sei como me tratar ou como respirar. Me revelo meu maior inimigo e caio sobre um manto de devaneios tristonhos e fico guardado do mundo. Mas é um guardado enigmático, sombrio e frio. Fico desajeitado em relação a tudo e me emudeço. Fico estático. Minhas entranhas se corroem ferozmente e minhas lágrimas escorrem como lava. Me aqueço e me resfrio. Fico temeroso sobre o futuro e digo coisas que nunca quis dizer pra ninguém. Mas falo. Me arrependo depois. Depois falo de novo, agora com outras pessoas e me arrependo de novo e de novo. Sou feito de retalhos muito mal costurados. Sou esse ser desnutrido da humanidade, mas tenho vontade de me erguer contra tudo isso. No final, sou eu contra mim. Sou eu contra todos. Sou eu em um mundo cheio de vazio. Sou isso, sou só eu.

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