
Hoje, conversando com o céu, me lembrei do quanto eu te olhava e te achava linda; pensava como seria quando eu te perdesse. Eu te perdi. Sei agora o quanto realmente dói. Expliquei pro céu que o seu abraço era a coisa mais gostosa do meu dia; que eu amava acariciar seus cabelos, beijar teus olhos. Senti um vento na pele. O céu chorou comigo. Compartilhou das minhas dores, mandou chuva pra segurar em minhas mãos. O céu me disse que podemos ser confidentes; que quando tiver doendo muito, ardendo, ele manda chuva pra aliviar. Se não for lá de cima, ele manda sair dos meus olhos uma chuva lenta e mansa. Fiquei pensando se a Terra vai ser alagada por conta desse meu pedido. Não vai parar de chover. Os mares, rios, lagos todos irão chover. Eu vou chover pra sempre. Eu queria poder voltar no tempo. Descruzar caminhos. Evaporar vontades. Abafar impulsos. Eu não queria ter me perdido. Hoje, sem rotas. Amanhã, quem sabe? Teimosa que sou, insisto. Às vezes, desistir é a melhor escolha. Hoje, conversando com o céu, eu entendi que estou encharcada – de sangue.

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