ESCREVÊNCIA – PRODUÇÃO DAS PARTICIPANTES – DIA 3

Seguem alguns textos criados durante o terceiro encontro do curso no dia 02 de março de 2024. O objetivo principal é possibilitar às participantes a oportunidade de transformar experiências pessoais em expressões artísticas e poéticas. O encontro foi conduzido pelo acadêmico César Ferreira.

A Reposta Dentro de Si

Afim de saber por onde ando
e, porque me movo
Me boto em xeque
No calor
Minha pele sente o ardor
Então me ponho à sombra
Em busca de frescor

Em meio a vastidão
Me vejo sentado no chão
Olhando pro céu
As nuvens pairam no ar
Com o vento a me tocar
A brisa me leva a voar
Não fisicamente
Viajo na minha mente
Entre passado e presente
Caminhos trilhados a frente
Me encantam novamente
Com tudo que já passei

Diante de toda beleza
A liberdade da natureza
Revela toda riqueza
E vejo em cima da mesa
Um prato cheio de mim.

Sou como arte na parede
Sou uma intervenção
A sombra da civilização
Sou artista,
Sou vivência,
Sou história,
Sou resistência.

Viva a vida sem pressa
As coisas vem e vão
Os dias passam
E passarão
Olhar para trás é sempre uma opção
Aprenda com o tempo passado
E leve ao seu lado a arte do coração
Siga a sua rota
E encontrará a resposta
Grite a pergunta no peito
E encontrará em seu pleito
A resposta dentro de si.

Jota

Palavras Recolhidas (Ou sobre pequenas expedições internas)

Eu sou aquela que caminha em busca de palavras.
Neste trajeto, os becos de passagem e
as entradas e saídas não sinalizadas,
se tornam os lugares de encontro do que procuro.

Olhando para os lados, me deparo com sons e cores
Acima, encontro a fúria do sol que arde na pele,
mas se a suavidade do azul e a música dos pássaros resistem,
acredito que posso continuar um pouco mais.

Abaixo, vasculho com o olhar
cantos com pequenos e grandes entulhos esquecidos.
Curiosamente, eles me fazem lembrar
os cantos de minha mente acumuladora de memórias.
Será que existe algo para reciclar dentro destas lembranças?

Volto da caminhada satisfeita com as palavras coletadas,
na esperança de que elas possam me ajudar a escrever quem sou.

Ser-estando personagem da vida real
Queria um roteiro próprio,
livre da imprevisibilidade incontrolável do destino.

Mas no controle das linhas da vida,
não teria as surpresas do presente.
Ao menos hoje, quero os presentes do agora
e talvez um pouco mais da liberdade
de viver o papel escrito pelo acaso.

Quando meu olhar recai mais para dentro do que sou,
Uma lista imensa ganha corpo diante das alegrias,
descobertas, dúvidas e dessabores que me constituem.

Neste momento, descubro algumas máscaras.
Em segredo, quero que elas permaneçam onde cabem
e que atenuem as verdades que ninguém precisa saber.

Se pudesse enviar uma mensagem para a menina que fui,
tentaria me dizer que a sensibilidade do olhar
não me impediria de ver pequenas belezas em meio ao caos.

As memórias que eu guardei
fizeram de mim uma eterna aprendiz de fazimentos e manualidades.
Mas as lembranças do que não fui,
se tornam matéria para invenção de mundos
e me ajudam a ser a escritora tardia
das palavras que me chegam.

Belister Paulino

Não cabe a mim

Nunca imaginei que seria tão difícil falar de mim mesmo
E tudo o que eu disser será para mim um vazio, soará como uma mentira,engano,e não me permitirei a tal feito

Um sujeito perdido procurando se achar,um nada querendo se ajuntar

Eu nem sei quem eu sou

E não é sobre saúde mental,ou a falta dela, é o não saber o ser, é só querer viver,e deixar de ser

Já sou muita coisa ao mesmo tempo e não estou afim de ser nada agora

Sem hora marcada ou aviso prévio prometo te contar
se algum dia eu me achar
só não insista em me cobrar

Só deixa.
Me respeita.
E me aceita.

Zélia

VERB TO BE

O meu lugar eu nem sei
quem sou ?
eu definitivamente não sei.

O futuro é incerto
mas talvez seja lá que eu vá me encontrar
por que essa pressa de se achar ?

Por que não é suficiente o sentimento de estar?
eu estou aqui
preso no agora
escrevendo minha própria história.

Por favor, não rótule o tempo no qual eu deva saber quem sou ou oque quero
eu quero ser inconstante
quero mudar de opinião, hoje dizer sim e amanhã a liberdade de exclamar um “não!”

Quero viver, me apaixonar, me decepcionar, chorar, rir, gargalhar…

Quero tudo que essa esfera que chamamos de mundo possa me oferecer.

O quem sou não é sobre ser
é sobre estar
e eu vou estar até não mais respirar.

Bru.

Poesia no instante!

O que dizer a mim, hoje, amanhã ou quando me for?

Direi que sou um ser no mundo, andante e errante.

Pisei terrenos inóspitos, em outros adornados de flor.

Se tive amores, amei, fui amada e amante.

Eu falei de coisas insanas, mas também de flores

Falei da criança, da menina, da mulher habitante em mim

Vi tantas gentes, bonitas de formas e cores

Sinto o calor da vida, deste breve instante enfim.

Quer saber como sou, e você, como seria ser?

Sou um terreno inteiro, completo, ativo

Talvez gostes das minhas gavetas, vais ver,

Meu cérebro não sossega tem comportamento cativo.

Mas se quiseres neste terreno habitar

Não se faça de rogado

Entre e vasculhe, terás coisas a amar

Outras tantas serão as que deixei, num canto jogado.

Por último, pegue minhas mãos, andemos em par,

Sinta a beleza nas parcas e ínfimas coisas

A vida é assim, cheia de nuances e gente a amar!

Anna Costa.

Em busca do eu, trilhei estradas desconhecidas,
Caminhos ocultos, verdades escondidas.
Ao invés do eco dos passos, segui o coração a pulsar,
Desvendando mistérios, a mim mesmo encontrar.

Na escuridão densa da alma que vagueia,
Rastros de luz surgem, guia que clareia.
No âmago do ser, em profunda introspecção,
Pedras reluzentes, eterna conexão.

Fragmentos do eu, em cada brilho, elucidar,
Descoberta imensa: jamais me deixar.
Eu, o guia e o viajante nesse argumento,
Na jornada interna, sou o próprio enredo.

Ao alcançar o fim, descubro: não há linha final,
Desfaço-me, refaço-me, em um ciclo sem igual.
Poeta da alma, em cada palavra e traço,
Reescrevo-me de novo, versos dançam no espaço.

Sou a própria prosa, em constante cadência,
No eterno fluir da minha própria rima.
Na jornada sem fim, na descoberta sem pressa,
Sou a obra-prima, a história em progresso, a beleza.

Niél Sàlim

Manhã tórrida de sábado.
Altas temperaturas me deixam letárgica.
Contabilizo um sol pra cada um.
Nesse instante sou alguém sedenta
Essa brisa que me envolve o corpo enquanto caminho,
Não é capaz de aplacar esse calor.
Quero água, quero sombra
Quero uma luminosidade suave
Que me ajude a contemplar o caminho percorrido.
Entre casas, flores amarelas, muros grafitados
Sigo meu caminho sem pressa,
Mas a vida segue ligeira, me impedindo de desperdiçar o tempo.
Contemplo o céu que abriga nuvens difusas,
Me dizendo que hoje talvez não chova
Mas sabe como é, as águas de março representam o verão.
Paro por um instante, respiro fundo e me transformo.
Sou essa relva que abriga buracos,
Feitos pela chuva de ontem.
Cuidado! Andar sobre mim, exige atenção,
Mas não deixe que isso te aprisione o olhar,
Contemple essa manhã gloriosa,
Iluminada, convidativa, cheia de vida
Se quiser, te convido a se deitar aqui, comigo
Sinta o meu frescor, o pulsar que vem de minhas entranhas
Meu perfume que tenta te embriagar
A umidade que te paralisa, que te prende a mim.
Nessa manhã de sol escaldante,
Sou seu lugar favorito.
Desfrute da minha companhia, aceite o meu abraço,
Juntos sermos um.

Se me fosse permitido revisitar o meu passado
Me alertar das coisas que eu talvez pudesse evitar
O que será que eu diria?
E se eu soubesse o que dizer, seria lícito fazê-lo?
Seria como começar a ler um romance, partindo do final feliz
Talvez me impedisse de fazer minhas próprias escolhas
Errar, sofrer, aprender e amadurecer.
Sim a vida é breve, e passa por nós como um flash
Sou o conjunto de tudo o que vivi.
A mulher que vejo agora, diante do espelho
Olhar atento nesse túnel do tempo que é a vida,
Reverencia tudo o que viveu.
Quanto ao futuro, esse ainda não me pertence.
Quero ser feliz agora.
O hoje que me resta e que é só meu,
Me empodera e liberta.
Não quero mais ser refém, nem tampouco carcereira.
Prezo pela liberdade plena,
Vivo e deixo viver, esse é o segredo.

Angela Moreira

A existência é como um rio

Com seu fluxo natural

Segue, muitas vezes, pela margem

Outras, insiste em fazer seu próprio percurso

Queria ser assim: como um rio

Às vezes, margeando a vida

Às vezes, no centro dela

Mas, vivo cada momento

Experimento o que posso

E nem sempre me permito

Existo com pressa

Lanço-me em cada instante que resta

Vejo as pessoas, vejo os lugares, vivo

Sinto o amor, a dúvida, a empatia

Sinto o outro, complexo

Então, respiro, sigo, persisto, insisto

Tudo dará certo

Pois, ao final, sei que a vida seguirá

Assim como um rio

Luzineide Ribeiro

I

Escravo das más sensações
Eu não vi chover, eu só vi o medo
Estava lá, o bentivi dizendo, eu todo apressado
O sol queria me dourar a pele, eu aflito
O que serei amanhã? Como se pagam as contas?
E quem sou eu ao olho do outro, em se comparando…
E o agora todo flores, todo azul de céu, todo folha que cai
Eu, escravo das más sensações
Sou o trauma, o medo do porvir
Eu quero me fazer de agora
Alimentar-me das folhas que caem
Tomar emprestada a asa da ave que passa…

Eu, hoje, quero ser todo azul de céu.

II

Eu sou maior do que o corpo
Não caibo, desconfortável, nos ouvidos que apitam de noite
Minha alma, que sabe voar, habita um corpo pesado, que não dança
Eu sou um gigante em meus temores
Mas sou um gigante nos sonhos também
Os telhados, as copas das árvores
Tudo isso é o meu chão
Eu tenho consciência das nuvens (tu não)
Eu me esqueço do azul de lá de casa
Quando é noite de trovão
Eu esqueci que tenho asa.

III

Ser eu é sentir intenso
Olhos de caleidoscópio
Ver assim pode ser bonito, mas pode dar vertigem
Ser e não saber o que é
Corpo estranho no mundo
Estar e não saber quando
O presente não existe
Não saber respirar
Essa é a sensação
Não saber escolher nem calçar os sapatos
Sonhar que voa e acordar para a queda
Dói pensar, dói ver, dói lembrar e ter que esperar
Mas às vezes eu mudo, eu garoo, eu olho de novo
E daí tem um pássaro na janela
E daí eu consigo ver
Eu voo de novo.

IV

Isso tudo vai passar
As coisas boas e as más
Mas, calma
Você sempre retorna a si
Sempre sabe quem você é
Você é bom, você ama e pede perdão
Você tem medo
Olha o abismo e tem medo
Mas pula
Você descobre o voo no meio da queda.

Você vai se esquecer de uma porção de coisas, mas calma…
Você vai aprender coisas novas
Você vai ver as rugas chegando
Mas também vai ver o mar
E escrever um poema sobre isso
O tempo vai balançar
Mas você vai ser sempre você
Capaz de amar sem tamanho.

Só não se esquece (por nós) de que você gosta muito de Belchior
E também de dançar
Mesmo sem saber.

Daniel Canhoto

(forte sonhador)

Eu sou uma pessoa que leva dentro de mim uma calmaria, gentileza e bondade.
Sou de espalhar sorrisos por onde passo, levando alegria e carisma
Aproveito a vida com profusas felicidades, e me amando como sou.

A meio tantas coisas que me acontece, não me deixo abalar o ser que sou
Ser eu mesmo é até complicado, impossível, paro para pensar o ser vivo forte que me tornei.

Às vezes me vejo na escuridão, pelo meu canto fico calado, e tristonho, em meu quarto choro deitado, me perguntando o porquê de a vida ser assim, me vejo sendo um vaso quebrado, tornando-me minha dor e sofrimento.

Já não me sinto mais sozinho, com o tempo as cicatrizes vão se cauterizando e vou me curando, a cada dia que vai se passando me torno mais florescente e encorajado, a minha armadura é a grande força que habita no meu interno, presentemente consisto em ser um guerreiro de grandes lutas.

Amanhã penso só nas coisas boas que estarão por vir, eu já não paro mais para pensar no ontem, quero realizar sonhos, conquistas, enfrente seguir sem ter medo de errar, já mais vou desistir de lutar vou proporcionar coisas melhores para mim, dar o meu máximo e não me cansar, tendo que ser forte, compreender tudo o que estar em minha volta, subir nos degraus da vida, sem olhar para trás.

Erik Oliveira

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