
Nossa última vez no CCBB foi de céu estrelado, pingo de chuva fininho, fininho; mãos entrelaçadas, beijos apaixonados. Senti-me uma adolescente a rodopiar contigo, beijar teus olhos, tuas mãos. Você me abraçava como quem retornava para casa. Por um momento, ao morder aquele Dog da Igrejinha eu pensei: eu morri, que alegria, tô no céu! (Os transeuntes têm o hábito de fazer essas associações dúbias entre felicidade e morte). Não acho graça, mas faço também. Assistimos ao espetáculo “Vestido de Noiva” em adaptação a uma obra do grande Nelson Rodrigues. Confesso que vi tudo em quatro dimensões, porque inventei de introduzir algo de teor alcoólico nos poros e os olhos sempre embaçam quando isso acontece. Foi extremamente divertido, exceto pelo fato de eu adivinhar o final da peça antes mesmo de começar. O que parecia um cenário de casamento era na verdade um hospital, necrotério. Morte em vida, sabe? Vida e morte. O pano de fundo era o amor. Ah, o amor! Ele sempre aparece nas tragédias. Estávamos muito felizes, rodopiando de amor; o amor nos rodopiava.
Eu acho que a vida imita a arte.
Alguém me ajuda aqui: eu tô vivendo uma tragédia ou é só álcool e espetáculo em 4d?
Créditos da fotografia: Montagem do Grupo Oficcina Multimédia para “Vestido de noiva” — Foto: Fotos de Divulgação/Netun Lima

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