
(Um escravo capataz, que tem uma obsessão pelo seu Senhor Tiburcio. Faz tudo que o Senhor manda, mesmo as mais terríveis torturas contra seu próprio povo. Desenvolve uma doença que o faz deformar físico e mental, e fica delirando pelo mato noites inteiras).
(Escravo entra em cena eufórico chamando por Tiburcio).
– Tiburcio… ohhhhh Tiburcio,
Tiburcio ohhhh Tiburcio… meu rei… só meu rei… Tiburcio ohhhh Tiburcio meu rei….
(Para um pouco…fica mais calmo….e conversa como se tivesse alguém do lado, mas está sozinho).
– Tiburcio é meu rei… só meu rei… Ele mora lá no fundo das águas… Lá pelo lado das veredas do mutum…
(Chama alto com saudade)
– Tiburcio… ohhhh Tiburcio… Tiburcio… meu rei…
Ele é bonito… tem um rabão de peixe todo coloridinho…
Ohhh meu rei….Tiburcio…
(Com ar de superior)
– Eu faço tudo que ele me manda… sabe porque??
Porque Tiburcio é meu rei…só meu rei… (Eufórico)
Um dia…ele disse… aquele pretinho atrevido…leva para a beira do córrego, pega a tampa da lata dele e (Faz gesto de cortar o pescoço) – Zas…foi aquela sangueira…(Eufórico) e aquele sangue tava quentinho…e eu bebi tudinho….Tiburcio ohhhhh Tiburcio….Tiburcio…ohhh Tiburcio meu rei …(Louco, roda pelo palco gritando).
(Para de repente, e como se estivesse sendo perseguido, agarrado por pessoas imaginárias começar a ficar desesperado)
– Não…não me trisca, tira a mão de mim….Tiburcio é meu rei….eu faço o que ele me manda… saí… me solta… socorro Tiburcio… socorro meu rei… eu faço o que meu rei Tiburcio manda…
Não, não… Tiburcio ohhhh Tiburcio me ajuda…. meu rei
(Enquanto fala as últimas falas, dobra-se em um canto do palco… até sumir).
Fim.

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