A solidão segue a me abrir os braços

Desfaço teus traços
Borracha em caneta?
Fotografia des-revelada
Binóculo-satélite
Cidade-volante
Um abraço quente-vulcão
Que resfria como o tom da tua pele
Gélida, petrificada estava, lembra?
Em susto-espanto me recordei:
A solidão segue a me abrir os braços
Onde estão teus beijos, amor?
E a gargalhada sardenta de peito em flor?
Cadê o teu canto, no canto da sala e embaixo das cobertas?
Conta pra mim pra onde foi teus cabelos; eles sobrevivem à ação natural da terra?
Cadê teu nariz no meu? Teus pés esfregando as minhas pernas?
Ei, girassol cadê você?
O moço do outro lado da rua me lembra:
A solidão segue a me abrir os braços
Poesia transcendente
Dor que não afaga crescente
Peito em dor (dó maior)
Poesia-despedida (despida)
Se é preciso morrer pra atravessar essa esfera, ei amor, me espera, já vou me aprontar
Poesia-premonição
Dá aqui a tua mão, vamos prosear
Me dê logo permissão
Quero teu abraço-alcance
Você que foi flecha, perspicaz-rapidez
Há de retornar
Na placa ali ao lado me informaram também:
“A solidão segue a me abrir os braços”
Meus olhos-nudez
De esperança-escassez
Não quero emudecer
Cadê tua gargalhada no pé do meu ouvido, cigana?
Me espera, eu chego já.

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