PONTE-aguda

Grande feito 1200 metros, larga em 24, alta em 62, marcante feito tráfego de 50k quatro rodas por dia. Não paguei pedágio, mas me custou caro. Seis vias, cruzamentos, lago. Paralela à arte; antagônica à vida. Vislumbre num dia de sol, arquitetura pagã.

Dor grande feito murro em ponta de faca.

Já te apreciei. Já jantei à luz de velas com tua face ao fundo. Caminhei feito Deus nas tuas águas, em flutuação de amor.

Feito Deus você me afogou aí. Estou no fundo. Lá no fundo. Imersa na imagem tua que hoje é fel. Fel não radical de feliz. Fel mesmo. Radical foi você. O que custava um final feliz?

Te circundei feito fiscal, imperatriz; na absoluta ignorância da certeza; na impetuosa constatação do adeus. Te circundei por 240 longos minutos-dias. Eu estava ali, de joelhos a te implorar: – salva o meu amor. Você, fria, pontiaguda-ponte no ponteiro cinza das quatro da manhã. Fazia frio. Batia-me os queixos, não de frio, mas de dor. Ai! Custava um final feliz?

Você esconde nos teus arcos, sangue não noticiado por interesses vários, ocos, enxofre; de uma política arquiteta e vã que entorpece e esconde; aniquila também. Teus arcos escondem os muitos que aí naufragam, mergulham sem paz atrás de Tétis. Sempre presente, ela os afaga. Quem os noticia? Quem te denuncia? Implode, derrama, destrói. Eu te picharia. Cinzenta, amarga, infeliz. Somos dois lados iguais de diferentes moedas.

PONTE-aguda, morra!

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