
A cada segundo que passa no meu peito, sinto um frio que mingua cada perspectiva de uma felicidade idealizada, sublime, nem que fosse uma centelha de luz. De fato, é isso mesmo. Uma enorme questão niilista. Eu sinto. Explico de qualquer forma sufocando minhas memórias, meus pensamentos, minhas vontades e meus desejos mais sensíveis. Minha visão, turva, se embranquece e esquece que em cada frame, um mês já se passou. Eu não sinto nada e sinto tudo. Eu não sei o que sentir e o que sinto agora. Eu choro calado. Eu sofro sozinho. Eu guardo um sorriso genérico para mais tarde. Eu fecho o vitrô que dá acesso à minha alma e coloco uma cortina de seda bem fininha, tão fina que a umidade do ar poderia acabar com ela. Eu fico assim, solitário. Eu fico assim e esqueço de quem eu realmente sou. Eu fico assim, pregado numa parede sem cor. Eu sou um grão de areia no Saara. Eu sou um átomo no universo. Eu vejo a chuva derretendo lá fora. Os sons dos trovões chegam em mim muito mais tarde que o normal e eu sei que é uma coisa estranha de compartilhar. Falar ou não falar sobre as coisas me deixa triste, e aí vem de novo aquele sentimento de ser algo sem impacto nenhum. Ser uma nuvem no céu azul, simplesmente existindo até não existir mais, sem relevância, sem apego, sem escolha.

Deixe um comentário