Miocárdio inflamado, agudo, cinzento.
Cálculo renal dói, mas você já sofreu de amor?
Bebi um vinho barato em uma mesa qualquer, porque preciso desbloquear novos vícios além de você.
Posso te escrever pela última vez?
Me decompor.
Miocárdio inflamado arde. Peito aberto em dó.
Vou comprar flores só pra não te entregar.
Enquanto não chega a tal quarta lua do calendário, vou fazendo festa com tua chegada imaginária; sem mácula, sem dores. É possível?
DES-VER.
Meu peito é mar aberto. O mar quer meu peito incerto.
Queria poder soletrar a palavra lar em exatidão. Perdi meu endereço.
Quarta lua do novo calendário, vou puxar uma cadeira pra você se sentar. Toma aqui um café. Talvez eu possa esperar.
– Garçom, me vê dois guardanapos: um pra poesia e outro pra inundar os olhos secos (ou ao contrário).
Meu choro é um rio que corre ao avesso; pra dentro, de mansinho e agudo. Sorrateiro que é, me afoga a traqueia, me inunda o coração.
Meu choro tem nome, sobrenome, endereço, RG, cabelos encaracolados.
Meu choro me faz querer ficar aqui estirada no sofá enquanto assisto alguma infantilidade que não me provoca fagulhas nos olhos.
RIO QUE CORRE PRA DENTRO
(O final é o começo. E vice e versa verso.)


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