PARANOIA

Inunda-me essa substância aquosa de sal. Desfibriliza. Eu tô doente e caótica. Tudo dói. Eu não consigo controlar a enxurrada enquanto movimento os braços em ato de conduzir um veículo automotor. Aciono o limpador de parabrisas, mas ele é só ali pra fora. Chove dentro de mim. E fora também. Chove fogo aquoso. Dói tudo e tanto. Eu vou dar conta disso? Eu pensei que aquela fotografia seria a única lembrança ruim das suas mentiras; mas, você me provou que poderia ir além. Imprimiu nos ouvidos – sons; nos olhos – placas; no olfato – enxofre; no coração – muita agonia. O ponteiro marca 170km/h. É agora? É agora que o peso do corpo encontra o peso da pena? Que triste isso. Que triste alguém cheio de vida estar tão molhado de licor da morte. Que estranho isso. Eu não quero colidir. Só vou reduzir um pouco então. Desfibrilador. Sirenes. Coldplay. Eu não quero. Eu preciso.

Massagem cardíaca. Batimentos em zero. Dormência. Hipotálamo. Caminho em silêncio, entre corredores. Vejo que cuidam do meu corpo. Quem vela minha mente? Desfibrilador. Reduzo. Desconecto a chave da ignição. Encolho as pernas. Que ensaio ruim. Instagram. Story. Feed. Sorrisos. Rolê. Desfibrilador. Ponteiro em 180km/h. Imprudente-acidental. Coloque a culpa na cadeia carbônica molecular C2H5OH. Eu vou conseguir? Eu posso conseguir.

PARANOIA.

Eu tô num terreno baldio. Ele é meu coração. Tá tocando sertanejo. Eu pedi um espetinho. Luzes brancas e amarelas. Vento de brisa de chuva em nota sol. Eu busco seu contato, a notificação. Você é fumaça. E eu realmente não posso tocar.

-Moço, acabou o guardanapo daqui da mesa. Pode reabastecer? Hoje a noite vai ser longa. A morte é uma boa dançarina.

Sertanejo. Ethanol. Terreno baldio. Teletransporte? Pra depois.

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