
Tem um mar de dentro que se forma em mim todas as vezes que invento de fazer as lágrimas correrem ao contrário.
Inunda no peito o afogamento de mim. Nado em lavas quentes de fogo-água-claustrofóbica. Sinto os órgãos internos nas mãos; mas, o que faço se não sou cirurgião-poeta?
A inabilidade de conduzir água-vida aos órgãos que dela necessitam, me leva à rigidez de um solo que sou: cheio de fissuras e bisturis que não cortam terra. Sou infértil sem o molhado do amor; sou secura em boca trêmula invertida e coração encharcado. Nem sempre é sobre água. Quase que de forma inédita escrevo em lágrimas.– Faz chover, seu moço! Faz chover nesse cerrado-nordeste até que algum espinho encontre o balão sem corda; até que eu entenda que se molhar faz bem; até que as águas de mim sigam seu fluxo de vida e que a vida se faça cura-sol nesse cenário de caos e semente que não germina.

Deixe um comentário