Entrega

Em vias de água doce, com cheiros e cascalho, vou me prendendo como posso nas mais variadas formas de sorrisos, de mãos suadas e apertos de mão falsos. Talvez eu me entregue de vez logo, largo tudo e todos. Mas eu lembro muito. Lembro de tudo. Toda hora eu me pego colecionando memórias de mim e de outros por aí. Às vezes são conhecidos; às vezes o frescor de um boa noite. Às vezes só eu relaxando enquanto olho pela janela das duas da manhã. Às vezes uma folha de inverno caindo lentamente no chão empoeirado. Às vezes é o meu corpo se movimentando len ta men te entre árvores. Às vezes é a água gelada de um corpo febril. Às vezes o carinho de uma comida temperadinha. Às vezes é só a minha roupa com cheiro do amaciante. Às vezes um sim não esperado. Às vezes um texto muito bem estruturado. Às vezes […]

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