
A ansiedade me assalta
Em disfarce de melancolia
Sobreponho tempos, a falta
Em amanhã adoeço mais um dia
A meio passo, o pé suspenso do chão
Agarro a linha de chegada
À distância inalcançável em mãos
Quem chega é a mente, contrariada
Toco tempos impossíveis
Tudo misturado
Tudo de uma vez
Futuro presente feito passado
Me lanço à frente, buraco de minhoca
O corpo fragmentado, múltiplas partículas
Átomo que nunca choca
E a visão, opaca película
Sobrecarregado ainda me ocupo
Me culpo pelo tempo perdido
Que nunca me pertenceu
Leio, falo sobre viver o presente
Grito: Só tenho o agora!
Este tempo é meu?!
Já entoei o mantra
Já ouvi a semente
É aborto, o silêncio canta
De novo perco o presente
Depois volto aqui
Bora combinar
Quem sabe um dia eu vou lá?
Terceirizo o tempo invisível
Delego o presente ao futuro
Prepotente como fosse possível
Manter-me igual, menos maduro
Se Deus quiser
Agora entendo
Deus, na verdade
É tempo
E nunca se repete

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