Escrevivência: produção das participantes – Dia 01

Seguem alguns textos criados durante o primeiro encontro do curso no dia 23 de setembro de 2023. O objetivo principal é possibilitar às participantes a oportunidade de transformar experiências pessoais em expressões artísticas e poéticas. O encontro foi conduzido pelo acadêmico Lucas Souza.

Recomeçando

Ou isto ou aquilo … A poetisa retratou isso tão bem …. Ahhhh… e a vida que, de tão sedutora, vai nos levando pelo caminho das escolhas: isto ou aquilo? Hoje eu precisei estar aqui e, acreditem, eu fui uma gigante desde o processo de inscrição até a chegada ao local deste curso. Já não tenho dúvidas, a decisão foi certeira, daqui fluíram palavras, redescobri o prazer de escrever, aprendi sobre o fluxo… que máximo! Dialoguei, imaginei … “nada é errado” ensinou o Lucas “mais empatia” repetia a todo momento. E, assim, naturalmente mais um ciclo se abriu e aqui estiu junto com outros a escrever, a relatar e, principalmente, a exaltar os conhecimentos adquiridos numa bela manhã. É sobre oportunidade. É sobre escrever. É sobre nós. É a vida!

Maria Eliete

Quem me dera poder voltar no tempo.
Em que tudo era voltado as minhas tardes correndo.
Brincando, jogando e pulando.
Quem dera poder voltar no tempo.
Onde tudo era tão simples, tão sereno.
Onde minha mãe chamava para almoçar
enquanto assistia meus desenhos.
Assim como neles, queria ter o poder de voltar no tempo,
mas esse eu não tenho.
Vou me contentar com meu poder
de transformar memórias em um lindo texto.
E sempre que me bater a saudade,
repetirei a leitura deste meu belo pensamento.

Yasmin Oliveira Hilbert

As tardes no quintal

As minhas tardes no quintal eram mágicas correndo pra lá e pra cá pareciam não ter fim correndo sem parar o quintal com suas magias fazia a gente sonhar sonhar que era um pássaro e muito alto poderia voar e era tão incrível que todas as tardes as brincadeiras não podiam faltar sem pensar no amanhã é só aproveitar tudo o que o quintal tinha pra dar e usando a imaginação bastava sonhar que se esta onde se quer estar ainda que seja no quintal correndo sem parar

Dorinha

O tempo trata-se de algo
o qual não é possível manejar ou controlar
Um dia o olhar de uma criança desfrutou
pela última vez de doces brincadeiras
Sentiu pela última vez a harmonia de aprender na pré-escola,
Correu pela última vez nas estradas rurais com os seus amigos,
E sentiu em um único suspiro
o verdadeiro encanto de ser criança,
Pois, na infância não há limites na imaginação,
Não há restrições nos diálogos compartilhados,
A criança sabe viver, sabe expressar-se,
e principalmente, sabe demonstrar amor
Aonde foi parar as simples indagações da infância
após crescermos?…

Alyne Araújo Franco

Sobre Crianças e Quintais…

Gosto das memórias! Ainda que conviva com o medo de perder-me – até de mim mesma -, de ficar refém das lembranças que somente a mim cabem, não pretendo esquecer da menina que fui um dia… Aquela menina que desceu do morro, por escadarias, becos e vielas; a mesma menina, cabelo em tranças, de pés descalços, sujos do barro vermelho da rua sem asfalto…

O quintal era grande, sem muro; a casa? No canto, ainda no reboco, observando as crianças… Amoreiras, goiabeiras, Espadas de São-Jorge, Pés-de-arruda e girassois dividiam o quintal com galinhas, patos, jabutis, coelhos, pombos, cachorros, gatos e o velho papagaio. E as crianças nele, inseridas no maior quintal do mundo, cada uma em seu próprio mundo, repletas de sonhos e fantasias, ainda livres e coloridas, como as pipas que um dia construíram, cortando os céus nos dias mais felizes de suas vidas…

Ah, preciso lembrar, sempre, daquela menina… Talvez ela ainda esteja por perto, habitante desse corpo já em lento processo de decomposição… Talvez aquela menina ainda more em mim e, cheia de vida, alimente minhas memórias de vida, da vida que não mais viverei…

Dayse Bernardo

Eterno quintal nos fundos da memória. Lembro da menina que ainda sou, e meu sorriso não me deixa mentir. “Você rem riso de criança”, já me disseram. E meu riso murcha triste, porque eu quero sempre crescer.

Mas o quintal só enlarguece, parece mar tomando conta dos calçadões de veraneio que algum tolo teima em construir tão perto das ondas.

Dizem que a lua está se afastando da Terra. Ouvi falar e acho que tem comprovação científica. São só alguns milímetros, coisa que o olho não vê, mas a maré sente. É os calçadões sentem também, sentem tanto que desaparecem desfeitos no mundo de água. Assim é o quintal que parece mar.

E a menina está sempre lá com seu sorriso que insiste em aparecer no meu rosto, quando me distraio e quando me concentro também.

Que luas se afastam e o quanto se afastam para o mar-quintal quebrar em tão miúdos pedaços os calçadões que eu criei?

Loyde Cardoso

O sol me banhava suavemente naquele fim de tarde. Podia ouvir o canto dos pássaros, o zumbido das cigarras. Ia chover em breve. Até o cheiro no ar era diferente: uma mistura de suor com mato e pedra molhada.

Enquanto isso, me debruçava com calma sobre uma folha de papel e rabiscava a esmo sobre coisas que eu almejava para a vida. Eu queria ver paisagens com rios sem fim e peixes gigantes, mas, por falta de conhecimento, o traço era torto e estilizado. Ainda assim, era a minha obra prima.

Um mundo que o homem não havia tocado e, por este motivo, era muito belo e vibrante. Tinha cheiro de coisas existentes, mesmo, porém, algodão doce ou menta às nuvens e ao mato, chocolate à terra e mel à água. Sei lá. Sempre tive uma predileção por coisas doces e penso que isso tem a ver com o fato de que eu fui uma criança extremamente doce.

Talvez eu sinta falta disso, talvez eu ainda mantenha parte dessa doçura mesmo que a quantidade não seja o tanto que eu gostaria. E toda a vez que a tarde cai e sento para desenhar quaisquer coisas, me lembro dessa criança – que ainda existe dentro de mim em algum lugar – e percebo que eu queria ser um pouco mais doce (hoje em dia).

Daniel Teixeira

Torna-me-ei o teu fluxo
O teu ser perverso por essas linhas imaginárias
Sem que te prendas no correto
Se faça como a maré
As ondas te formam e te quebram
na superfície dos teus olhos mel
Que iluminam a minha tarde de domingo escaldante
Mas que no final me recolhe ao habitar-se.
Como num barco perdido ao conhecido pensamento
que me influi no presente
Por galhos e peixes brancos
Na maré sangrenta de minhas entranhas.
Não me preocuparei em retornar ao antigo
em busca do que deixei.

Priscila Morais

Vou voar para longe

Na poesia vou voar para longe,
para um lugar onde as asas da imaginação
me levarem.
Voar nos pensamentos de alegria e de descontração,
para me libertar das coisas sérias da vida cotidiana.
Voar me traz a sensação de liberdade,
de buscar novos acontecimentos e de aprendizagem.
Quem me dera estar
sempre voando.

Arlene

Uma resposta para “Escrevivência: produção das participantes – Dia 01”.

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