
Me fizeram uma proposta: venha! Aqui a moradia é mais barata! Temos emprego! E um comércio a poucos passos!
Me chamo Marisa. E como uma boa e experiente mulher brasileira e trabalhadora não poderia deixar a oportunidade passar!
Mudei para Floresta, a cidade encanto, assim por mim chamada!
A proposta irrecusável por algum tempo foi algo considerada uma vitória incrível. Ah, quanta alegria! Planos! Perto do trabalho! Pagando pouco! Que beleza!
Os dias foram passando e fui me apaixonando pela Floresta que eu mal via, pois fica para lá do muro do “meu” condomínio.
Bem perto desse muro tem uma árvore frutífera bem alta. Essa árvore serve de restaurante para belos casais de araras que cantarolam e divagam entre os galhos. Ao final de uma longa colina estão árvores e outros elementos naturais.
Sábado a tarde é um bom momento para conhecer a cidade, os seus parques e espaços coletivos para descontração. Conheci uma praça linda e outra e outra!
Foi rodando e observando minha nova cidade que conheci vários novos condomínios e ruas de todos os nomes. O céu! Que céu! Esse continua lindo! Mas as árvores foram saindo de cena. Se tornaram algo tão démodé, sujam excessivamente as ruas, as casas e ocupam muito espaço.
Pensamentos me atorodavam e eu queria andar de olhos fechados pela minha cidade: Floresta, a floresta sem árvores!
Pensamentos os quais me reduzem a nada, me sinto tão fraca! O que posso fazer para ajudar? Me ajudar!
Assim como araras divagam sobre os galhos de uma grande árvore, uma sobrevivente, meus pensamentos seguem soltos e atordoados à espera de olhares e mãos fortes que vislumbrem tal redenção.
Até quando desmatar para lucrar?
Marisa, 41 anos, mulher, parte da Terra, à espera.

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