Nasci com alma de gato, e desde o início, soube que meu lugar era nos recantos mais aconchegantes. Como um felino, encontrei meu próprio cantinho, onde posso ser eu mesma, sem máscaras nem pretensões. Não tenho a necessidade de fazer acrobacias emocionais para atrair audiência, meu afeto flui naturalmente, como o ronronar suave que escapa de um peito sereno.
Há momentos em que a introspecção é meu maior desejo, uma fuga tranquila para a privacidade da minha própria essência. E sim, não é preciso que algo grandioso aconteça para justificar essa escolha. Às vezes, o simples ato de estar com meus pensamentos é suficiente, uma forma de autodescoberta sem necessidade de plateia.
A lua e as estrelas são minhas confidentes noturnas. A escuridão envolvente é como uma tela em branco para os meus devaneios. Observo o mundo cotidiano com olhos aguçados, captando as nuances e as novidades que dançam ao meu redor. Mas, mesmo assim, esbarro em portas e corações que permanecem hermeticamente fechados. A vida tem suas regras, e assim como um gato curioso, arrisco-me a bater o focinho naquilo que parece intransponível.
A arte de espreguiçar é uma das minhas paixões. Nesses momentos de alongamento, estou em sintonia comigo mesma, livre de pressa ou urgência. Apreciar a quietude é uma virtude, e os barulhos do mundo muitas vezes me desconcertam. No entanto, quando os acordes certos preenchem o ar, sinto-me envolvida como uma pluma ao vento. A boa música tem o poder de acariciar minha alma felina.
Meu círculo de afinidades é composto por aqueles que compreendem e respeitam minha natureza. Assim como eu, eles não exigem performances exageradas; o vínculo é alimentado pela simplicidade do respeito mútuo. Os encontros com amigas são como sessões de relaxamento, onde a conversa flui suave e o café traz consolo. Quando o carinho é verdadeiro, não hesito em fechar os olhos e simplesmente aproveitar.
A verdadeira companhia é como um bálsamo para o meu coração. Abro-me com confiança, compartilhando a jornada da vida com quem entende minha essência. Mas, como uma gata prudente, também reconheço os momentos em que a alma se arrepia, um sinal sutil de que algo está em desequilíbrio. Aprendi a diferenciar entre o prazer e o perigo, uma lição que ainda está em constante evolução.
Minha liberdade é meu tesouro mais precioso, um espaço onde posso explorar, criar e ser. Assim como se diz que os gatos têm sete vidas, sei que já enfrentei diversas fases e desafios. Cada experiência moldou meu ser, lapidando minha compreensão do mundo e de mim mesma.
E assim, como um gato que segue seu próprio ritmo, caminho pela vida com graça e curiosidade. Minha jornada é um constante aprendizado, uma busca por equilíbrio entre os instintos felinos e a complexidade da existência humana. Afinal, na vastidão do universo, somos todos estrelas em constante evolução.


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