
Acordei ainda com a cabeça girando e um gosto estranho na boca. Como eu fui parar aqui mesmo? Tento me virar de um lado para o outro na cama. Encosto num objeto quente. Abro os olhos com mais vontade para tentar entender. É um alguém. Quente e descabelado. Obviamente também não tenho ideia de como esse ser veio parar por aqui. A primeira necessidade é por um copo de água. Na verdade, qualquer líquido pode me salvar neste momento. Minha boca amarga e na garrafa ao lado da cama eu nada encontro. Preciso enfrentar a maldade do mundo e me levantar. Caminho com passos lentos e forçadamente chego à cozinha. O filtro de barro está vazio. Bebo um pouco de água da torneira. Parcialmente quente e a vontade de vomitar é cada vez mais forte. Preciso do líquido precioso. Preciso do angiosperma torrado fruto do cafeeiro. Necessito da minha Coffeea arabica. Da Etiópia para minha mesa, coloco a água para ferver enquanto me apoio na pia. Não consigo sentar e ter que levantar novamente seria uma tortura. Encontro a lata correta no armário, preparo o coador e levemente vou despejando a água fervente pouco a pouco. Coloco o líquido preto em uma xícara parcialmente quebrada, mas ainda funcional. Ela me faz pensar em mim. Levo a bebida à boca e me queimo de leve. Nada de açúcar. O amargo também me faz pensar em mim. Mesmo assim, o efeito imediato é estar pronto novamente para viver. Hoje será um bom dia. Tomei um café.

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