
Cheguei em casa depois de um dia exaustivo de trabalho na escola. Não havia uma só parte do meu corpo que não estivesse tensa e dolorida.
Ao contrário do que ocorre com muitas pessoas, que ficam alertas e agitadas, um bom café sempre me relaxa. Então lembrei de um pacote de café gourmet com um toque floral que eu comprara dia desses. Ainda estava lacrado.
Iniciei o preparo como quem faz um ritual de magia… medi 3 xícaras de água, já que esse não é o tipo de café que vai para uma garrafa térmica, só se faz a quantidade exata que vai tomar. Coloquei a água no fogo em um recipiente adequado, de vidro, para observar a fervura exata. Separei o bule e o coador de inox posicionando-os cuidadosamente. Pesei o tanto exato do precioso pó e fui organizar a mesa. Xícara, pires e alguns biscoitos amanteigados, tudo regado a boa música onde Raul me dizia que se eu fosse sincera e desejasse profundo, seria capaz de sacudir o mundo.
A água chegou ao ponto exato, pouco antes de levantar fervura. Apaguei o fogo e escaldei o coador. Coloquei o pó e iniciei o processo de infusão. O líquido marrom transparente resultante parecia mais um chá forte do que o café comum do brasileiro. Isso me causou uma certa satisfação por saber que um bom café, de torra média, era exatamente assim.
O cheiro meio floral, ligeiramente frutado, mas ainda inconfundível do café, começou a fazer sua magia.
Verti o líquido quente na xícara e me sentei, antecipando o prazer do primeiro gole. Raul me disse para tentar outra vez e eu bebi meu café sentindo meu corpo relaxar e minha mente se acalmar…

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