Em 1922 acontece em São Paulo a Semana de Arte Moderna, proposta por um grupo de artistas que havia tido contato com as vanguardas artísticas europeias. Até aquele momento, completando 100 anos da independência do Brasil, havia grande vontade de romper com as exigências estéticas impostas pelos conceitos europeus do que é ou não é arte, uma necessidade de promover uma modernização “de que estava carecendo a cultura nacional naquele momento”[1]. O Movimento Modernista nasce então, opondo-se ao conservadorismo cultural da época e, principalmente, às estéticas Simbólicas e Parnasianas que conduziam as produções artísticas até então.

A repercussão do evento, que promoveu conferências, leituras de poemas, apresentações de dança, recitais e concertos musicais por alguns dias no mês de Fevereiro seria vista nas décadas seguintes: um marco para a arte e a cultura brasileiras que passaram a explorar um aspecto transgressor e nacional, definindo os padrões artísticos de um país que iniciava um processo de urbanização e industrialização.
O ano de 2022 marca um momento em que o Brasil ainda se esforça para encontrar uma arte com cara nacional e se libertar das imposições estéticas desse mundo altamente imagético e instagramável. Hoje, a arte é consumida individualmente de forma personalizada através de nossos supercomputadores portáteis; a indústria fonográfica, fotográfica, cinematográfica e gráfica abraçou as novas tecnologias, tratando muito de criar hábitos novos para conseguir sobreviver.
Assim, percebendo que Valparaíso de Goiás é uma cidade em crescimento vertiginoso e que não há inciativas para que os artistas locais sejam promovidos, a Academia Valparaisense de Letras propôs a realização da Semana de Arte Valparaíso 2022, que homenageou os vanguardistas de 1922 e iniciou um movimento de aproximação dos artistas da academia com a comunidade, além de promover a arte desenvolvida por artistas da cidade e da região, valorizando não só a arte local como a arte nacional que lutam para encontrar o mais básico: público para lhes apreciar e lugar para florescer.


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